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CRISTO, REI DO UNIVERSO Último domingo: ANO “B”
(2Samuel 23,1-7) Daniel 7,13-14 – O Filho do Homem reina Apocalipse 1,5-8
– Jesus reina acima de
todos os reis da Terra João 18, 33-37 –
Disse Jesus: “Tu o dizes: eu sou
Rei” O REINO DE DEUS
TEM UM REI INCONFUNDÍVEL
Jesus
Cristo está sendo julgado pelos poderes deste mundo. O evangelho proclama:
o Reino de Jesus“não é deste mundo”. Ainda presos aos padrões,
imaginamos um rei sobre a economia mundial; um governante ao estilo de
George Bush, comandando um império mundial de interesses que vão da
indústria de armamentos à garantia de acesso aos mananciais petrolíferos
do Golfo Pérsico ao Mar Negro, berço do mundo, manipulando e influenciando
impositivamente políticas de nações islâmicas como o Irã, Iraque e Síria,
neste momento? Rubem Alves disse: “na Bíblia, o povo eleito sempre está do
lado dos reinos deste mundo”. Não é difícil ler isso: o povo bíblico
sempre se encontra às voltas com bezerros de ouro, ídolos de pés-de-barro,
os quais são surdos, cegos e mudos; não trazem salvação e bem-estar senão
para si mesmos. Esse
povo subserviente às potestades também é chamado de “prostituta”. Diz a
Bíblia: como Deus, o profeta Oséias amava uma prostituta. Esta, por sua
vez, amava a prostituição. Parábola da perversão popular, aplica-se também
aos falsos profetas, bajuladores do rei. Diziam mentiras doces: há paz,
comida, habitação, trabalho... Os profetas verdadeiros, porém, contavam
verdades amargas, falando dos frutos azedos da miséria e das
opressões reinantes, enquanto
“reina o rei”. Festa para o falso, morte ao verdadeiro. E o povo? O povo é
uma prostituta de barranco, como se diz no Nordeste, oferecendo-se a preço
baixo. É bíblico, esse povo? Sim. Porém, é uma gente prostituída. Pronta,
inclusive, a dizer, conforme a oportunidade: “Crucifica, crucifica!
César é o nosso rei”. Os romanos também sabiam disso: o que o povo
gosta é de panis et circences, pão e circo. Outras vezes, o
povo aprecia os entretenimentos perversos, diversão, gladiadores e
leões ferozes nas arenas, sangue derramado em profusão, mártires
destroçados, porque não
abjuram a fé... É muito divertido para o povo. Pois só ler a Bíblia... não
custa muito. Só a teologia ingênua idealiza o comportamento que não
existe. João
18, 33-37 – Categoricamente, o povo que
sobrou do antigo e infiel Israel em fórum público declara: “César é o
nosso rei”. Hoje, que posição tomamos? Ao lado de César, Pilatos,
Caifás (poder político, judiciário, religioso) e do Templo (= religião)?
Tratamos de consciências vendidas aos poderes dominantes? Utilizamos os
avanços tecnológicos como desculpa de atualização necessária aos nossos
fins? Queremos participar do “espírito” imediatista e consumista do mundo
globalizado e dele tirar tudo “que temos direito de consumir,
culturalmente”, inclusive no ambiente eclesiástico ou religioso?
Absorvemos sem questionar a ética e a “espiritualidade” do mercado global,
pós-industrial? Submetemo-nos sem resistência ao poder e valores da
cultura global; ao modo de pensar do mercado? Nossas igrejas vão se tornar
simulacros do reality show e de toda a obscenidade e imitação
cultural que se propaga como uma praga litúrgica no meio da Igreja
Evangélica? Dobramos nossos joelhos aos reis deste mundo (mercado,
economia, política), enquanto simulamos dobrá-los a Cristo, na liturgia
corrompida que tomou o pseudo culto dos nossos dias? No
relato da Paixão, no quarto evangelho, não temos dúvidas: afirma-se que
Jesus é o “rei dos judeus”. Por 6 vezes esta expressão aparece, e a
palavra “rei” (basileus) é encontrada por 12 vezes. O contexto é o
“julgamento de Pilatos”, o representante político de César na Palestina. O
julgamento é político, sem dúvida. Claramente, Jesus define a sua realeza.
No entanto, uma negativa se evidencia: “meu Reino não é deste mundo”.
Se fosse um reino comum, para os judeus, ele não seria combatido ou
preso por sua própria gente. A realeza de Jesus não está em função do
reconhecimento público da sua gente (que, como hoje, prefere declarar
outros como seus reis: “...César é o nosso rei, crucifica-o!”),
menos ainda do poder reinante. A realeza de Jesus é de outra ordem, não
acompanha a violência do poder político, não se submete ao mesmo. O
Reino do qual é Rei está sobre todos os reis deste mundo, inclusive o
César. Pilatos representa César, o rei de todos os reis deste mundo. A
inscrição sobre a cruz é irrefutável: “Rei dos Judeus”. Não havia engano
possível: César não admitia e mandava crucificar aquele que se apresentava
com “poder” concorrente com o dele. Pilatos, preposto, é advertido: “Se
o soltas, não representas a César, ele enfrenta o imperador. Nosso rei é
César, e ninguém mais” (Jo19,12e15). As opções por César por um lado,
e a opção por Jesus, por outro, são incompatíveis. Há conflito evidente de
poder, de finalidade e de reconhecimento relativo à autoridade de cada um.
Um reino “deste mundo” representa a dominação, massacre cultural, morte de
tradições e princípios da fé genuína. O Reino de Jesus representa a
Verdade e a Vida, Salvação e Libertação daquelas dominações. Jesus
representa a libertação das cadeias culturais impostas.
Apocalipse
1,5-8
– O Evangelho de João apresenta Pilatos como a besta romana; Jesus, o
Filho do Homem, é representante daqueles que não adoram a besta, todos os
santos. João coloca na boca de Pilatos as palavras: “Eis aqui o
Homem”. É o Filho do
Homem que reina, porém sua coroa é de espinhos, colocada em sua cabeça
pelos soldados da besta. Todos os povos e nações adoram o Filho do Homem revelado.
Seu império é eterno e seu reino jamais terminará. Esta figura, chamada
Filho do Homem, está em oposição aos 4 impérios que têm oprimido o povo de
Deus (1-8) (cf. Daniel 7,13-14). Assírios, babilônios, persas e helenos,
seqüencialmente. Se as bestas representam a opressão do povo santo do
Altíssimo, o Filho do Homem é a figura coletiva do povo eleito. As bestas
são destruídas e o Filho do Homem recebe todo o poder, bem como o império.
Podemos atualizar, em cânon aberto, hoje, uma “quinta besta” em oposição
do Filho do Homem aos impérios do nosso tempo? Certamente não. Haja espaço
e teologia simbólica para as dominações (bestas) que sucederam a César.
Não há museu histórico capaz de comportar tantos poderes bestiais na
história do Ocidente cristão. No
Apocalipse de João, Jesus saúda a comunidade, porque o Messias é fiel
“testemunha” (marturia); é o “primeiro” nascido dentre os mortos, o
Príncipe dos reis da terra. Para uma comunidade perseguida o importante é
confessar Jesus como o Messias; como o Mártir, testemunha do Reino de
Deus; como o primeiro ressuscitado (aquele que anuncia que todos
ressuscitarão) e como aquele que tem poder sobre todos os reis da terra. A
comunidade responde a partir de sua própria experiência, reconhecendo-se
como constituída de sacerdotes do Reino de Deus. Todo o povo participa da
realeza de Jesus é um povo sacerdotal. Não preenchendo o papel testemunhal
de intercessores e interventores para a reconciliação com o projeto do
Reino de Deus, que povo sacerdotal é esse, que não se reconhece na
resistência aos poderes e potestades, enquanto se ajoelha diante dos
deuses deste mundo; e protesta falsamente sua fidelidade ao Rei do
Universo? Pastor
da Igreja Presbiteriana Unida
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