8o. DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO “B”

Oséias 2, 14-15.19-20 - Eu te desposarei para sempre.

Salmo 103, 1-4.8.10.12-13- O Senhor é bondoso e compassivo.

2Coríntios 3, 1-6 - Sois uma carta de Cristo,  por nosso intermédio.

Marcos 2, 18-22 - O noivo está com eles.


Os textos de hoje nos servem como um pequeno resumo para a vida cotidiana. Nos versículos 14 e 15 nos faz uma recordação do passado que o povo de Israel viveu, longe de Deus, atrás de outros deuses; talvez seja esta a nossa situação. Mas os versículos 19 e 20 nos trazem uma imensa e extraordinária novidade, a proposta de Deus expressa na imagem usada por Jesus no evangelho de Marcos: o casamento (bodas), uma figura da presença de Deus no Antigo Testamento, e uma proposta feita a partir de uma lei, um direito não dos seres humanos, mas de Deus. A alegria que se sente nas bodas, e todos os projetos que se podem iniciar nessa etapa da vida, serão os sentimentos propostos ao povo, e aqueles que escutam a palavra de Jesus, hoje. Casar-se é a possibilidade de alguém começar uma vida nova, de fazer um projeto que e inicia-lo, já não sozinho, ou sozinha, mas em companhia de outro que, com toda segurança, fará mudar muitos dos esquemas e costumes, de um e de outro. Deixar-se-ão coisas costumeiras, abraçar-se-ão outras que jamais imaginarívamos. O matrimônio é uma experiência que implica em novidade de vida. Paulo usará na segunda carta aos Coríntios essa mesma imagem da novidade.  Contrapõem-se o Antigo e o Novo Testamento: à lei em tábuas, ou escrita em papel, contrapõe-se a do coração. Não com tinta, será escrita essa lei, mas com o toque do Espírito.

 

Oséias 2, 14-15.19-20 - Esta imagem e esta mensagem, devemos tomá-las hoje para a nossa vida. Cada um de nós é chamado a voltar-se para Deus (Oséias); a experimentar alguma novidade na própria vida (Paulo); a ver em Jesus a novidade e a pessoa que realiza esse projeto novo, não para cada um individualmente, mas para a comunidade. A vida a dois não pode ser uma experiência exclusivamente de duas pessoas voltadas para si mesmas: é uma experiência que deve resultar em benefícios também para a comunidade. Um casal não deve amar-se isoladamente. Deve viver de tal maneira o seu amor que os outros membros da comunidade cheguem a perceber: assim como eles se amam, mais intensamente ainda nos ama Deus.

 

Marcos 2, 18-22 - Vemos na leitura do evangelho a segunda discussão de Jesus com inimigos que o acusam e perseguem. Há oito dias atrás a polêmica fora por ter perdoado os pecados sem autorização religiosa. Hoje será por causa do jejum. Tudo se desenvolve num ambiente de desconfiança e hostilidade, da parte das autoridades religiosas judaicas por causa das afirmações polêmicas feitas por Jesus, a respeito de si mesmo e de sua missão. Também aqui se percebe a opção de fundo feita por Jesus, e o que provoca no enfrentamento de seus adversários, até chegarem à decisão de eliminá-lo. Algo que o próprio Jesus percebe, e ao mesmo tempo anuncia aos seus seguidores. Concretamente, Jesus, hoje, nos diz que veio para uma missão entre os pecadores, e que é o Senhor do sábado, e é o “noivo” do Reino (um termo que era exclusivo para Deus, no judaísmo), enquanto socorre os enfermos.

 

Em Marcos estamos no centro das controvérsias (2-3), onde Jesus se revela como o noivo e  ensina algo fundamental sobre a novidade do Reino. Em um primeiro momento, é uma mera comparação com uma festa de bodas, ou casamento, que não é tempo de jejum, mas de alegria solidária. Mas, atualizando, esta é a visão do que se passaria com Jesus e seus discípulos. O tempo das bodas é a presença de Deus em nossa história como enviado de Deus entre nós. Isto é, como se fora um casamento de Deus com os seres humanos. É a presença do Esposo no coração da história humana. Por isso apresenta-se como ação principal na libertação do legalismo,  ou dos formalismos rituais os quais, às vezes, nos enchem de angústia e não nos permitem ir para além da mensagem real, aquela que nos é dada no evangelho. Às vezes, ao invés de nos sentirmos livres, nos sentimos escravizados por práticas litúrgicas, ou por praticas do legalismo religioso, doutrinal, fundamentalista.

 

A misericórdia de Jesus para com os pobres e marginalizados é uma defesa diante dos exploradores e daqueles que excluem; face às coisas que se fazem para se poder exercer a marginalização e escravidão preconceituosa, Jesus disse bem claramente que trouxe uma novidade a respeito do que dizia Antigo Testamento. Uma novidade que não admite compromissos com o velho sistema de pensar. A novidade hoje é anunciada com a comparação da festa de casamento; Jesus alude, mesmo que  brevemente, que sua morte será violenta, mas que ele se considera irreconciliável com o legalismo e a lei religiosa. Coloca-se em relevo o não compromisso com o velho sistema mediante a imagem do pano novo, o remendo, que se colocaria num vestido velho. Ficam em segundo plano as distinções, o que fazem uns e outros, o que é puro e impuro, e põe em questão o valor da Lei.

 

Para Jesus esta é a maneira de apresentar o Reino, e tudo o que faz é captado pelo evangelista como um sinal de irrupção desse Reino. No texto de hoje não vemos um sinal milagroso, mas uma tomada de posição face à prática judaica do jejum. Afinal de contas, o que se considera é a apresentação da salvação total.  O Reino significa essa salvação com a presença do Esposo.

[Pesquisa e transcrição adaptada: Bíblico: www.servicioskoinonia.org]

 

 

Derval Dasilio

Pastor da Igreja Presbiteriana Unida

Visite:  www.paoquente.org     

 
 

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