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25o.
Domingo do Tempo Comum – Ano B Provérbios 31,10-31– A mulher virtuosa abre a mão
para amparar o aflito e necessitado. Salmo 1– Bem-aventurados os que não
escarnecem dos caminhos de Deus. Tiago 3,13- 4,3 e 7-8 – A ganância pode levar a um
caminho sem volta. Marcos 9,30-37 – Os
“pequenos” são vítimas por afinidade das desigualdades
sociais.
JESUS TORNA GRANDES OS
PEQUENOS O que Jesus
revelava era um paradoxo, dos inúmeros de sua pregação. O senso comum
recusa suas palavras, enquanto sustenta a escalada de privilégios na
sociedade. Jesus identificava a acolhida de Deus aos empobrecidos,
despojados de dignidade, fracos,
com o acolhimento que devemos dar às crianças. Aqueles que não têm
direitos, dignidade, cidadania, nem quem olhe por eles. Os últimos na
escala social, os desprezados, “improdutivos”, eram levados em conta, na
chegada do Reino de Deus. O fenômeno da padronização de consumidores, na
sociedade recente, repercute de forma decisiva sobre os empobrecidos e os
despoderados. O vestuário, a utilização dos meios de transporte, o lazer,
a proteção e seguridade social, a habitação, a escola, o sistema de saúde,
demonstram o quão distantes estão os empobrecidos dos recursos disponíveis
e da distribuição dos bens sociais. Temos aqui uma democracia eleitoral (o
voto é obrigatório, no entanto!), mas falta democracia, como dizia um dos
candidatos à presidência da nação; falta democracia participativa na
distribuição dos bens sociais; falta democracia na distribuição do
trabalho e da produção; falta democratizar as riquezas que certamente
existem, neste país. A rigor, ainda vivemos sob conceitos da democracia
dos filósofos da antiguidade, na Grécia antiga: democracia só para as
elites dominantes e os bem-postos da
sociedade. Os “pequenos” são
vítimas das desigualdades sociais, por afinidade. O Evangelho, porém, faz
gerar novos símbolos que se contraporão às formas de linguagem e aos
modelos que sustentam a sociedade consumista, juntamente com os valores
desumanos a que se recorrem para justificar a competição desigual e a
ganância galopante. Estas têm se transformado em virtudes... assim é a
pedagogia da ganância. Com Ezra Viveros (Ética, Teologia e Globalização),
citamos Ernesto Sábato, que nos remete à esperança que nos mantém na
ante-sala daquela casa de Cafarnaum, aprendendo com Jesus a lição de hoje:
“Não há nada no mundo que possa contra o homem que canta denunciando a
miséria”. A Carta de Tiago nos convida a refletir sobre os melhores conteúdos
da religião que Jesus e seus apóstolos professavam. Nem tudo é legalismo,
farisaísmo, misticismo judaico. Objetou-se por muito tempo sobre a
introdução desta carta no cânon escriturístico, quase trezentos anos
depois foi confirmada como inspirada, cristã, portanto. A composição
judaica, porém, é admitida por muitos estudiosos. Elementos da moral
judaica, da sapiência do Eclesiástico, livro dêuterocanonico, fazem
transparecer no cristianismo judaico as antigas e belas qualidades que o
Thalmud consagrou. Convém trazer todas essas idéias às claras e passá-las
no crivo do evangelho cristão. A ética neotestamentária absorve muito bem
a moral de Tiago (obras da fé...).
O problema permanece como peculiaridade das epístolas, sempre às
voltas com recomendações para o viver
cristão. A cobiça pelo dinheiro, prestígio e mando, pode levar a um caminho sem volta, e nos afastar do cristianismo de maneira irreversível, adverte Tiago. Uma explicação simples e eficaz da causa dos conflitos na comunidade cristã encontra-se na ambição ou ganância. Com efeito, ninguém rouba, mata ou arruína a vida alheia se não estiver movido por algum tipo de ambição. Lembrando que Tiago dirige-se a cristãos da comunidade de Jerusalém. Os de fora, pagãos, não merecem sua atenção. O apóstolo detecta crimes cometidos no seio da membresia, sem excluir até mesmo a existência de assassinatos: “sois assassinos e invejosos” (4,2). Não é uma metáfora. Cristãos praticavam coisas condenáveis, adverte. Isso depois de enumerar a maledicência, a rivalidade, a disputa de poder dentro da comunidade. O desejo de ser mais forte que os demais, de se ter mais poder econômico, de se assegurarem privilégios e poder de mando, são manifestações da ambição e ganância. O problema de tais condutas, inspiradas e patrocinadas pela sociedade, é que o ideal de vida, inclusive o de pessoas cristãs, é contaminado pelo desejo e luta pela posse e acumulação de bens. E não se trata aqui somente de dinheiro e bens imóveis ou financeiros. Marcos
9,30-37 – No movimento de Jesus os
discípulos são envolvidos com
questões de suma importância. Trata-se do escândalo da negação de
legitimidade para ambiciosos de poder, na comunidade eclesial e fora
dela. A discussão dos discípulos, concentrados
não em seu ensinamento, mas na repartição dos cargos burocráticos de um
hipotético governo, como um exemplo da vida diária. Está na pauta, é parte
dos ensinamentos de Jesus. Os discípulos devem superar o medo cultural que
os invade e que impede de dirigirem-se a ele com mais confiança, sem
obediência hierárquica. Jesus lança mão de uma estratégia pedagógica muito engenhosa: a “criança” era uma das criaturas mais insignificantes da cultura israelita. Por sua compleição física ainda em formação, e idade, a criança não estava em condições de participar da guerra, da política nem da vida religiosa (Bíblico: Servicios Koinonia). Jesus coloca um desses pequenos para o meio deles e lhes mostra como o presente e o futuro da comunidade está dependendo das pessoas mais esquecidas e mais simples. Somente assim há de se reverter o sistema de valores. E só dessa maneira a comunidade se tornará uma alternativa diante do “mundo” que só valoriza as pessoas endinheiradas, bem-postas, ou os que têm poder político ou poder econômico. A novidade de Jesus consiste em tornar grande o pequeno. Ao dar valor aos que fazem os trabalhos mais humildes e às pessoas tidas culturalmente, dentro da sociedade, como insignificantes zeros à esquerda, ele aponta para a igualdade de direitos e a dignidade de todos. Marcos reúne numa só
instrução uma série de sentenças de Jesus, conservadas e transmitidas
pelas gerações e tradições primitivas da Igreja. A moldura da perícope é
uma casa em Cafarnaum, lugar transformado em escola de apóstolos
(apóstolo=aquele que recebe e leva a cabo uma missão). Predomina a
instrução sobre a humildade. Melhor: o pequeno é “grande” diante de Deus
(Shöekel: Bíblia de Jerusalém). Os socialmente humildes, sem poder
econômico, sem-terra, sem-emprego, sem-teto, sem-defesa nas causas levadas
aos tribunais, sem nada que os destaque e espelhe dignidade devida e
concedida por direito (dignitatis), ocupam lugar central no Reino
de Deus. Os oprimidos e esquecidos pela sociedade merecerão a atenção
graciosa de Deus. |
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