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17o
DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO “B” - 2006 João
6,1-21 –
Disse Jesus: - "Eu sou o Pão da Vida"! 2Samuel
11,1-15 – O povo necessitado chora em altos brados Salmo
14 – O Senhor restaurará a sorte do seu povo Efésios
3,14-21 – O amor de Cristo excede a todo entendimento PÃO
PARA OS QUE TÊM FOME “O
Brasil descobriu que tem lobos vestidos de pastores; uma corja imunda. São
os políticos evangélicos que gatunaram o Ministério da Saúde;
testas-de-ferro de igrejas, apóstolos e bispos
mentirosos que afirmavam haver necessidade de eleger crentes para o
Congresso Nacional com um discurso de que almejavam os interesses do Reino
de Deus. Por favor, não insistam em me pedir que seja misericordioso com
esses ratos alados: eles sugaram o sangue de brasileiros pobres. A única
sugestão que tenho para eles é que cada um amarre uma corda no pescoço
e se jogue de uma ponte para dentro de qualquer esgoto. Por
favor, não insistam comigo. Não serei compreensivo. Estou enfurecido. De
nada me valerão argumentos de que esses políticos evangélicos podem ser
escuma fétida, mas que pregam uma mensagem libertadora. Não tolero mais
ouvir essa desculpa. Não acredito que a causa evangélica precise
conviver com tanta ignomínia, desde que "salve almas”. Nenhuma
“salvação” seria tão excelente que justifique essa indecência que
veio à tona, mas que há tempos corre frouxa nos porões das mega "empresas-igrejas"
que mercadejam esperanças (pr.Ricardo Gondin, ALC Notícias,
24.jul.2006). Na Idade Média, entre os monges “terapeutas”, Evrágio evocava os sete pecados capitais, atribuindo a cada um o “demônio” que lhe cabe. Os monges não se lembraram do “demônio” que cabe à 'fome'. Hoje,“Existem muitas campanhas contra a Aids, o terrorismo e as guerras. Elas são muito importantes e devem persistir, mas a sociedade também precisa estar atenta à questão da fome. A soma de todos esses males é menor que as conseqüências causadas pela miséria no planeta. Talvez a fome seja ignorada porque ela faz distinção de classes, ao contrário destes outros problemas mundiais”. Avareza, luxúria, ira, soberba, gula, inveja, cobiça. Fala-se muito dos sete pecados capitais. Porém, mais nefastos e perniciosos para o homem são os pecados da sociedade capitalista, consumista, voltada para o “ter-sem-ser-e-aparecer”, poderia ter escrito alguém interessado nas recentes culturas do velho porém atualizado capitalismo cultural. Os diabinhos medievais que perturbavam a espiritualidade dos cristãos daquele tempo, na Igreja Antiga, já anunciavam o que estava por vir? Quem
disse, ou viu e relatou a frase de pára-choque de caminhão, “o
brasileiro só é solidário no câncer” (Fernando Sabino, creio,
citado por Nelson Rodrigues), queria nos passar uma informação cultural
importante? Roberto DaMatta sugere a relação entre o capitalismo e a
obesidade: “...quero sair das explicações ingênuas para mostrar os
elos profundos do sistema de símbolos e imagens engendrados pelo
capitalismo”, e
prossegue carregando a pena para demonstrar
a perversidade dos meios de produção fundados na exploração do
trabalho – que simplesmente não é um ‘bem social’, na sociedade
capitalista; na idolatria do dinheiro e dos valores móveis; no
sistema de troca sem nenhuma forma solidária ou altruísta, não temos
como fugir da realidade sobre alimentada com as gorduras extras do
consumismo estimulado. Fomos tomados por uma legião de demônios que se
incorporam nos homens e nas mulheres desse tempo, poderes que instilam
constantemente o egoísmo social enquanto nega solidariedade aos famintos
e prisioneiros da miséria histórica do povo latino-americano. Antes de denunciar o grupo que já se prontificava a corromper o projeto Fome Zero, Frei Betto já falava da distorção no recente governo. O pastor Gondin, citado acima, já nos esclareceu. Inclusive sobre a corrupção do "bloco evangélico" no Congresso. Dos desdobramentos todos sabemos, com “fartura”: corrupção eleitoral, propinoduto, operação sanguessuga, enquanto permanece a escassez de alimentos e de recursos para debelar a fome de 53 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza. Sejamos mais claros: um terço da população brasileira vive na miséria!
--------- Derval
Dasilio Pastor
da Igreja Presbiteriana Unida
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