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ADVENTO INTRODUÇÃO PARA AS LITURGIAS Izaura Márcia Venerano
Profa./Mestra
em Liturgia
Neste Advento nos deparamos com os símbolos da missão individual de cada cristão; dos ministros ou oficiais da igreja, bispos, pastores, presbíteros, diáconos, presidentes, moderadores, seja qual for o sexo. Jesus está em primeiro lugar, ninguém deve querer suplantá-lo. Jesus e sua missão são a coisa maior de nossas vidas? Dedicar a vida para abrir caminho à causa do Messias de Deus; criar visibilidade para o Messias de Deus e os significados do Reino; ser precursor do que Jesus representa na libertação das muitas opressões, cegueiras, prisões religiosas, políticas, econômicas, sociais, seria o que o profeta João Batista representa para todos nós, quando prepara o caminho do Senhor? [Nota: Uma opção segura para o Lecionário Presbiteriano/ Reformado, iniciativa de teólogos e especialistas em liturgia, em edição coordenada por Eduardo Galasso Faria, encontra-se no Manual do Culto – Editora Pendão Real, S.Paulo,1997]. (Derval Dasilio)
UMA CAMINHADA... O ANO LITÚRGICO DA IGREJA COMEÇA COM O ADVENTO
Revda.Izaura Márcia Venerano
“O ano litúrgico é tanto proclamação quanto ação de graças.(...). Boa parte da sua força vem através da reiteração,(...). Ano após ano,semana após semana, hora após hora, os atos de Deus são comemorados e nossa compreensão dos mesmos É aprofundada. Esses ciclos nos resguardam de uma Espiritualidade superficial, baseada em nós mesmos.
O Calendário Litúrgico ou Ano Litúrgico, é o período dentro do qual a Igreja celebra os mistérios de nossa salvação, recordando e revivendo os acontecimentos da vida de Jesus nas celebrações litúrgicas ao longo do ano. A cada ano que passa tem como objetivo ser uma ajuda a cristandade na sua caminhada, ao celebrar os acontecimentos que foram marcantes nos anos passados e também ir abrindo a novos fatos que marcarão profundamente a sua vida. Nunca é rotina, pois esses fatos são lembrados e relembrados à luz da Palavra. Assim, novamente chegamos ao Ciclo Natalino que corresponde Advento, Natal e Epifania. Este ciclo tem início quatro domingos antes do Natal. Iniciará no primeiro domingo de dezembro (primeiro domingo do Advento), estendendo até o período do Natal que se inicia em 25 de dezembro, terminando com a Epifania, no dia 06 de janeiro [comemora-se também no primeiro domingo de janeiro]. No segundo domingo de janeiro é celebrado o Batismo do Senhor, representa o início da missão de Jesus no mundo, começando o primeiro ciclo do Tempo Comum, que se estende até o domingo em que se comemora a Transfiguração do Senhor. Neste texto iremos nos deter no Ciclo Natalino (Cf. Lecionário – Manual do Culto – Pendão Real).
Advento, Tempo de Esperança
"... risos e cantos no ar”; “Tempo maior de esperança, abram espaço à criança" “O Reino vai se implantar”.
Advento, do latim adventus, significa “vinda”, “espera”. Sua origem é documentada a partir do século IV a.C, surgiu como preparação para o nascimento de Jesus, o Natal. É o tempo que marca o início do calendário litúrgico cristão, período de quatro semanas no qual a Igreja alegrando-se com a vinda do Messias, vive uma expectativa escatológica a espera de sua segunda vinda. Podemos afirmar que no Advento celebramos o “já” e o “ainda não”, que é viver a espera do cumprimento das promessas e renovar a esperança no reino que virá. As leituras bíblicas indicadas para os quatro domingos, nos preparam para a chegada da luz plena,o Salvador Jesus. Deus que salva,Deus conosco, o Senhor do Cosmo e do Tempo, nosso Senhor. [Obs. Registra-se o uso de Lecionários, também nessa época].
Cor Litúrgica: “roxo, violeta, o lilás e o rosa (o azul é opcional). O roxo significa contrição: daí a matização das cores no sentido de ir clareando conforme a chegada do Natal. O rosa geralmente é usado no quarto domingo do Advento, que simboliza a alegria”.
Símbolo: Simbolizando a realeza de Cristo, sugerimos a coroa (cf. Zacarias 9.9) do Advento. Feita com galhos de pinheiro ou folhas de louro que será colocada sobre a mesa do altar, contém uma linguagem de silêncio, mas que nos fala forte através do círculo, da luz, das cores e dos gestos correspondentes. No século XVI tornou-se símbolo desse tempo na casa dos cristão. Originado dos luteranos da Alemanha Oriental, este uso difundiu-se rapidamente entre os protestante e católicos, mais tarde divulgou-se na América do Norte. A tradição manda que a cada domingo a gente acenda uma vela, faça uma oração, após entoar um cântico. Este ato pode acontecer no início da liturgia da Palavra. Exemplo:
1º domingo do Advento – “A VELA DOS PROFETAS ( roxa) – Oração – Deus nosso Pai: Ao começar este Advento, queremos acender a primeira vela desta coroa. É um sinal da luz que ilumina a nossa esperança. Queremos que esta vela seja um sinal do nosso permanecer despertos e com os olhos do coração abertos para ler os sinais e vestígios da tua vinda e da tua presença entre nós. Que não deixemos de ver nada do que nos fala de ti. Que não percamos nunca a sensibilidade para sintonizar contigo onde quer que estejas.Amém”. –Cântico: JESUS CRISTO, ESPERANÇA PARA O MUNDO.
2º domingo do Advento – “A VELA DE BELÉM (violeta) – Oração – Deus nosso Pai: O caminho do Advento que percorremos encheu-se hoje de sonhos e de projetos belos, desses que nos dão ânimo para avançar mesmo quando estamos cansados. No teu reino haverá justiça e paz. Faz, Senhor, que ao acender esta segunda vela da coroa de Advento, possamos ver que esses sonhos se aproximam da nossa realidade. Faz, Senhor, que do mesmo modo que estas velas nos iluminam, os valores do teu Reino iluminem as nossas vidas”. Amém. Cântico: JESUS CRISTO, ESPERANAÇA PARA O MUNDO.
3º domingo do Advento – “A VELA DOS PASTORES (lilás) – Oração – Senhor, acendemos hoje esta terceira vela. Ela une-se às outras para nos dar uma luz mais poderosa. Desperta-nos Senhor do nosso sono e ajuda-nos para que a nossa presença na sociedade seja um sinal de que vens ao nosso encontro, quando fazemos possível que a justiça, a liberdade e a paz sejam as características da vida dos nossos irmãos”. Amém. Cântico: JESUS CRISTO, ESPERANÇA PARA O MUNDO.
4º domingo do Advento “ A VELA DOS ANJOS (rosa) – Oração – Agora, Senhor, estão acesas as quatro velas. A luz habita entre nós como o fez um dia, graças a uma mulher simples que ouviu a palavra de Deus, que confiou n’Ele e o manifestou à humanidade. O Natal está tão perto que quase o podemos tocar. A esperança está tão madura que é quase uma realidade. É aí, Senhor, entre a realidade e a esperança que queremos pôr os nossos corações como Maria. Que tu os enchas da luz. Luz que reflete a tua presença no mundo”. Amém – Cântico: JESUS CRISTO,ESPERANÇA PARA O MUNDO.
No dia 24 ou 25 de dezembro , pode-se colocar uma vela branca no centro da coroa simbolizando a chegada de Cristo como Luz do Mundo. Oração – Nós te agradecemos, ó Deus porque “o povo que andava na escuridão viu uma forte luz; a luz brilhou sobre os que viviam nas trevas (Is 9.2)” e, essa luz que é Jesus chegou até nós.Obrigado Deus por essa explosão de amor por nós. Amém.Cântico: JESUS CRISTO ESPERANÇA PARA O MUNDO (6ª estrofe e coro)
O Natal é a festa do nascimento de Cristo, a celebração da encarnação. A celebração do Natal a 25 de dezembro foi oficializada somente no ano 570 d.C., surgiu com a finalidade de afastar os fiéis da festa pagã do natale solis invictus (“natal do [deus] sol invencível”), e passou a significar a chegada do Messias, “Sol da Justiça” (cf. Mt 4.2), já anunciado e aguardado no Advento. Natal, na acepção da palavra, significa “nascimento”; entretanto, para as/os cristãs/aos a partir de século IV d.C., este significado é ainda mais profundo, celebra-se a festa do encontro do divino com o humano que acontece através do nascimento de Jesus na gruta de Belém. Por meio de Jesus , Deus vem armar sua tenda no meio de nós, vem nos visitar e nos trazer a salvação, a paz, a justiça e a fidelidade. A espiritualidade desse período enfatiza a humanidade de Cristo e a salvação que nele é absoluta.
Leituras Bíblicas para o ciclo do Natal ( Lecionário Comum)
véspera de Natal - 24 de dezembro: Is 9. 2-7; Sl 96: Tt 2. 11-14; Lc 2. 1-14 (l5-20) Dia do Natal – 25 de dezembro : Is 52. 7-10; Sl 98; Hb 1. 1-4 (5-l2); Jo 1. 1-14 1º dom. após o Natal(31/12/06) : Is 61. 10 e 62. 3; Sl 148; Gl 4. 4-7; Lc 2. 22-40 2º dom. após o Natal(07/01/07) : Jr 31. 7-14; Sl 147. 12-20; Ef 1. 3-14; Jo 1:(1-9)10-18
Cor litúrgica - Utiliza-se o branco e/ ou o amarelo, símbolos da divindade, da luz, da glória, da alegria e da vitória que o nascimento de Cristo representa para a humanidade.
Símbolos : Anjos : simbolizam aqueles que anunciam o nascimento de Jesus; Crianças: simbolizam a festa da chegada do menino Jesus; Sinos : simbolizam o anúncio festivo da chegada do Messias; Presépio: simbolizando o local do nascimento de Cristo; Árvore de Natal: “A árvore é sinal de vida e está ligada à idéia da Árvore do Paraíso”(Gn 2.9),podendo ainda ser comparada à “Árvore da Vida”(Ap 22.2). É também sinal de genealogia, de família, povo. Fazemos parte do povo de Deus. Assim, diz o profeta:”Um ramos sairá da cepa de Jessé, um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor: espírito de sabedora e de discernimento, espírito de conselho e de valentia, espírito de conhecimento e de temos do Senhor”. (Is 11.1-2). Costuma-se fazer árvores enfeitadas com estrelas e velas, junto do presépio indicando-nos que pertencemos à grande família de Deus, aqui onde nos encontramos. O próprio Jesus indica-nos ser Ele mesmo o tronco duma videira e nós os seus ramos (Jo 15.5).Só tem vida quem n’Ele está enxertado.“Se Jesus apenas tivesse nascido e morrido, ele teria nascimento e morte similares a todos os líderes religiosos de todos os tempos, anteriores ou posteriores a ele. O enorme diferencial é exatamente a ressurreição. O Natal, portanto, aponta para cruz, antevê a cruz, considera a cruz. A Árvore de Natal nos revela o tronco, antecipa o madeiro: materializa a cruz”, essa idéia associa-se à Árvore da Cruz (1 Pe 2.24 – madeiro - tronco). Há uma riqueza de idéias que nos lembram que no coração do Natal estão a Cruz e a Ressurreição.
Cânticos: OUTRA CANÇÃO DE NATAL (Flávio Irala); DA CEPA BROTOU A RAMA(Reginaldo Veloso); do HE ns.7;8;10;19;20 etc.
Izaura Márcia Venerano Pastora da Igreja Presbiteriana Unida Mestra em Teologia Litúrgica Professora no Centro de Formação Teológica "Richard Shaull"
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