![]() ![]() ![]() ![]() PÁSCOA – 7º. DOMINGO – ANO “C”
“A ascensão nos remete à fé de que Jesus está vivo entre nós. Ele é diferente de nós e ao se ausentar de nosso meio, não nos abandona. Sua história e ministério se perpetuam através da nossa história e ministério” (rev.Elias Maper Vergara). A Ascensão do Senhor foi um fato histórico, físico, espiritual, teológico? Qual é a mensagem fundamental do mistério da Ascensão? “A terra é o único caminho que temos para chegar ao céu...”, concordamos com esta frase? Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo nos dê um espírito de sabedoria que abra o nosso coração à sua luz, para que saibamos qual a esperança que o seu chamamento nos dá. É preciso pedir insistentemente este espírito de sabedoria e a luz, para que ilumine o nosso "coração" para "saber qual é a esperança", nas palavras bíblicas da Ascensão do Senhor. Para superar todo ranço de espiritualismo introvertido, e toda falta de fé; combinar adequadamente na vida “o céu e a terra”, o idealismo e o realismo, a utopia e o compromisso, a escatologia e a história é um desafio para os cristãos que observam este Domingo da Ascensão. Atos 1,1-11 contém a narrativa da Ascensão. Os textos de Efésios (1,17-23) e Hebreus (9,24-28) destacam a glorificação do Senhor e o envio do Espírito Santo para capacitar e guiar a comunidade de fé no caminho da unidade, da edificação mútua e da maturidade espiritual (Mt 28,16-20; Lc 24,44-23).
O papel dos cristãos, diante da Ascensão do Senhor,
é tornar importante a gratuidade
de Deus para a salvação. A visibilidade da salvação está nos
lugares que Jesus Cristo freqüenta (D.Dasilio, “A difícil paz quando se
disputa lixo na periferia”, Comentário ao Lecionário Reformado,
6o. Dom.- Páscoa). Para que o mundo creia
na Graça salvadora e libertadora. Admitir que a estratégia de Deus,
divinizando o Senhor Jesus Cristo ao colocá-lo “à sua direita” na condução
do Reino, nos ensina a viver uma espiritualidade que traga às igrejas à vontade de Deus
para o mundo, que dê sentido ao serviço cristão enquanto ciente do mercado
desumanizante, dos esquemas de políticas públicas sem credibilidade, da
irrupção de pensamentos consumistas que escondem a realidade da pobreza
crescente, da falta de assistência adequada aos homens e mulheres a quem
foi negado o mínimo de dignidade humana, enquanto corroídos pela
desesperança, pela violência dos pecados das estruturas da sociedade em
que vivemos, e da qual somos parte inegável. Leia
também: http://www.paoquentediario.com.br/lecionario/lecionario_b_7dom_de_pascoa.htm
A semana que segue à
comemoração da Ascensão (40 dias depois da ressurreição) prepara-nos para
o Pentecostes (50 dias depois), o dia em que a Unidade da Igreja se
estabelece pela possibilidade de todas as línguas serem ouvidas e
entendidas como uma só, coerência dos discípulos que atendem à intercessão
de Jesus ao Pai, e de que todas as nações e tradições sejam
alcançadas pelo
Espírito do Ressuscitado. As maravilhas de Deus passam a ser proclamadas
sem barreiras culturais, étnicas ou religiosas. Esta semana é propícia
para a oração pela Unidade da Igreja, porque todas as tradições cristãs
encontram no Pentecostes o Espírito que vem para permanecer. É um
Pentecostes permanente que prepara a Igreja discípula para anunciar o que
lhe foi exigido. A fé apostólica não pode ser setorizada na igreja
visível, porque a Igreja do Senhor não pode ser loteada ao sabor das
particularidades denominacionais. Nesse dia, a Igreja se reconhecerá, na
diversidade das famílias da fé, outra vez, unida como orou o Senhor:“...
agora vou para junto de ti; ...Pai, oro para que sejam um como eu e tu
somos um” (Jo 17, 13a e 11c;).[Derval Dasilio, Comentário ao Lecionário
Reformado]. Lucas
24.49-53 - O Evangelho de hoje encerra o longo relato de 24 capítulos
apresentados pela tradição da comunidade de Lucas, a respeito da vida de
Jesus. Trata-se da narrativa da ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo. Os
quatro versos que narram o episódio apresentam alguns elementos
importantes que passamos a destacar: 1. Jesus promete poder (força,
energia espiritual) aos seus discípulos. No verso 49, Jesus convoca os
discípulos a receberem “poder” na cidade de Jerusalém. Esse poder que virá
do alto, será concedido depois do episódio da ascensão e acontecerá na
cidade de Jerusalém, centro do poder religioso e político no tempo de
Jesus. O poder prometido por Jesus aos seus discípulos não será um poder
concedido pelas estruturas institucionais comuns e humanas, será um poder
que vindo do alto, não se subordinará a nenhuma lógica de poder até então
exercida [grego= dynamin, v.49, força, energia; a promessa do
Espírito a “força” prometida, a mesma da encarnação, força que vem do
céu... – Lc.1,35 =
“...ficai na cidade até que sejais revestidos de força” – BP
– Paulus, 2003. Nota: D.Dasilio]. Conforme se vê nos relatos dos Atos dos
Apóstolos no capítulo 2, essa força-poder prometida por Jesus será
recebida pelos discípulos na visitação do Espírito Santo. Mas não será um
poder político para governar Israel e nem será um poder religioso para
dirigir o templo de Jerusalém. A visita do Espírito Santo vai romper com
os limites de exercício de poder até então conhecidos. O poder concedido
pelo Espírito Santo vai universalizar as boas novas de Deus em Cristo.
Será então um poder (imperativo) de serviço de todos os povos e não um
poder político e religioso exclusivo para o povo de
Israel. 2. Jesus é levado aos céus em Betânia. Esse pequeno
vilarejo de Betânia fica muito próximo do vilarejo de Belém, onde Jesus
nasceu. Nesta aproximação geográfica destes dois acontecimentos, há uma
forte conexão entre o nascimento de Jesus e a sua ascensão. A estrela que
anuncia o nascimento de Jesus constrói simbolicamente uma forte conexão
entre céu e terra da mesma forma que o episódio da ascensão. A admiração
que toma conta dos discípulos ao assistiram a subida de Jesus aos céus é
muito semelhante aquela que os reis magos tiveram ao observar a estrela
que brilhava de forma extraordinária anunciando a chegada do messias.
Tanto o nascimento como a ascensão de Jesus ocorrem em cidades sem nenhuma
importância política e religiosa. Belém e Betânia são a periferia de
Jerusalém. E é nessa periferia que inicia e finda a narrativa sobre a vida
de Jesus. Assim sendo a periferia de Jerusalém, onde vivem os mais pobres
e marginalizados, é colocada no centro do interesse do ministério de
Jesus. 3. Os discípulos retornam à Jerusalém. O caminho de
Jesus apresentado pelo evangelho de
Lucas é construído anunciando a salvação para todos os povos e
aproxima Jesus dos pobres, necessitados e desprezados pela sociedade.
Jesus envia os discípulos para a capital do poder, e lá receberão o
Espírito Santo em forma de um novo poder. Esse poder não vai explorar, nem
oprimir ou exigir sacrifícios do povo. Jesus ao enviar os discípulos à
Jerusalém aponta para eles o exercício do ministério profético de
confronto e contestação com o status quo vigente. Jerusalém e todos
os instrumentos de morte lá existentes precisam ser confrontados. A morte
não venceu a vida. O episódio da Ascensão não se configura como um final,
um epílogo da história da vida de Jesus. A ascensão nos remete à fé de que
Jesus está vivo entre nós. Ele é diferente de nós, e ao se ausentar de
nosso meio não nos abandona. Sua história e ministério se perpetuam
através da nossa história e ministério. O poder a nós delegado é sempre o
do serviço ao nosso semelhante (Nota: poder=força, energia para servir).
Precisará sempre contestar a realidade presente. No tempo de Jesus era
Jerusalém. Hoje dezenas de “jerusaléns” continuam a oprimir, escravizar e
empobrecer os povos no mundo inteiro. O nosso ministério e o ministério da
Igreja hoje se constrói em Betânia ou em Jerusalém? [Elias Maper Vergara,
Pão da Vida, Ano C, CEA, p.223, transcrição
parcial]. ------ Derval
Dasilio Pastor da Igreja Presbiteriana Unida
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