PÁSCOA    7º. DOMINGO –  ANO “C”

         Atos 1, 1-11 - Jesus foi levado aos céus, à vista deles.

    Efésios 1, 15-23 - E o fez sentar-se à sua direita nos céus.

       Lucas 24,44-53 -  Ascensão: Jesus está vivo entre nós...

 

               ASCENSÃO DO SENHOR 

“A ascensão nos remete à fé de que Jesus está vivo entre nós. Ele é diferente de nós e ao se ausentar de nosso meio, não nos abandona. Sua história e ministério se perpetuam através da nossa história e ministério” (rev.Elias Maper Vergara). A Ascensão do Senhor foi um fato histórico, físico, espiritual, teológico? Qual é a mensagem fundamental do mistério da Ascensão? “A terra é o único caminho que temos para chegar ao céu...”, concordamos com esta frase? Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo nos dê um espírito de sabedoria que abra o nosso coração à sua luz, para que saibamos qual a esperança que o seu chamamento nos dá. É preciso pedir insistentemente este espírito de sabedoria e a luz, para que ilumine o nosso "coração" para "saber qual é a esperança", nas palavras bíblicas da Ascensão do Senhor. Para superar todo ranço de espiritualismo introvertido, e toda falta de fé; combinar adequadamente na vida “o céu e a terra”, o idealismo e o realismo, a utopia e o compromisso, a escatologia e a história é um desafio para os cristãos que observam este Domingo da Ascensão. Atos 1,1-11 contém a narrativa da Ascensão. Os textos de Efésios (1,17-23) e Hebreus (9,24-28) destacam a glorificação do Senhor e o envio do Espírito Santo para capacitar e guiar a comunidade de fé no caminho da unidade, da edificação mútua e da maturidade espiritual (Mt 28,16-20; Lc 24,44-23).

 

O papel dos cristãos, diante da Ascensão do Senhor, é tornar importante a gratuidade  de Deus para a salvação. A visibilidade da salvação está nos lugares que Jesus Cristo freqüenta (D.Dasilio, “A difícil paz quando se disputa lixo na periferia”, Comentário ao Lecionário Reformado, 6o. Dom.- Páscoa). Para que o mundo creia na Graça salvadora e libertadora. Admitir que a estratégia de Deus, divinizando o Senhor Jesus Cristo ao colocá-lo “à sua direita” na condução do Reino, nos ensina a viver uma espiritualidade que  traga às igrejas à vontade de Deus para o mundo, que dê sentido ao serviço cristão enquanto ciente do mercado desumanizante, dos esquemas de políticas públicas sem credibilidade, da irrupção de pensamentos consumistas que escondem a realidade da pobreza crescente, da falta de assistência adequada aos homens e mulheres a quem foi negado o mínimo de dignidade humana, enquanto corroídos pela desesperança, pela violência dos pecados das estruturas da sociedade em que vivemos, e da qual somos parte inegável. Leia também:

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A semana que segue à comemoração da Ascensão (40 dias depois da ressurreição) prepara-nos para o Pentecostes (50 dias depois), o dia em que a Unidade da Igreja se estabelece pela possibilidade de todas as línguas serem ouvidas e entendidas como uma só, coerência dos discípulos que atendem à intercessão de Jesus ao Pai, e de que todas as nações e tradições sejam alcançadas pelo Espírito do Ressuscitado. As maravilhas de Deus passam a ser proclamadas sem barreiras culturais, étnicas ou religiosas. Esta semana é propícia para a oração pela Unidade da Igreja, porque todas as tradições cristãs encontram no Pentecostes o Espírito que vem para permanecer. É um Pentecostes permanente que prepara a Igreja discípula para anunciar o que lhe foi exigido. A fé apostólica não pode ser setorizada na igreja visível, porque a Igreja do Senhor não pode ser loteada ao sabor das particularidades denominacionais. Nesse dia, a Igreja se reconhecerá, na diversidade das famílias da fé, outra vez, unida como orou o Senhor:“... agora vou para junto de ti; ...Pai, oro para que sejam um como eu e tu somos um” (Jo 17, 13a e 11c;).[Derval Dasilio, Comentário ao Lecionário Reformado].

 

Lucas 24.49-53 - O Evangelho de hoje encerra o longo relato de 24 capítulos apresentados pela tradição da comunidade de Lucas, a respeito da vida de Jesus. Trata-se da narrativa da ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo. Os quatro versos que narram o episódio apresentam alguns elementos importantes que passamos a destacar: 1. Jesus promete poder (força, energia espiritual) aos seus discípulos. No verso 49, Jesus convoca os discípulos a receberem “poder” na cidade de Jerusalém. Esse poder que virá do alto, será concedido depois do episódio da ascensão e acontecerá na cidade de Jerusalém, centro do poder religioso e político no tempo de Jesus. O poder prometido por Jesus aos seus discípulos não será um poder concedido pelas estruturas institucionais comuns e humanas, será um poder que vindo do alto, não se subordinará a nenhuma lógica de poder até então exercida [grego= dynamin, v.49, força, energia; a promessa do Espírito a “força” prometida, a mesma da encarnação, força que vem do céu... – Lc.1,35 =  “...ficai na cidade até que sejais revestidos de força” – BP – Paulus, 2003. Nota: D.Dasilio]. Conforme se vê nos relatos dos Atos dos Apóstolos no capítulo 2, essa força-poder prometida por Jesus será recebida pelos discípulos na visitação do Espírito Santo. Mas não será um poder político para governar Israel e nem será um poder religioso para dirigir o templo de Jerusalém. A visita do Espírito Santo vai romper com os limites de exercício de poder até então conhecidos. O poder concedido pelo Espírito Santo vai universalizar as boas novas de Deus em Cristo. Será então um poder (imperativo) de serviço de todos os povos e não um poder político e religioso exclusivo para o povo de Israel.

 

 2. Jesus é levado aos céus em Betânia. Esse pequeno vilarejo de Betânia fica muito próximo do vilarejo de Belém, onde Jesus nasceu. Nesta aproximação geográfica destes dois acontecimentos, há uma forte conexão entre o nascimento de Jesus e a sua ascensão. A estrela que anuncia o nascimento de Jesus constrói simbolicamente uma forte conexão entre céu e terra da mesma forma que o episódio da ascensão. A admiração que toma conta dos discípulos ao assistiram a subida de Jesus aos céus é muito semelhante aquela que os reis magos tiveram ao observar a estrela que brilhava de forma extraordinária anunciando a chegada do messias. Tanto o nascimento como a ascensão de Jesus ocorrem em cidades sem nenhuma importância política e religiosa. Belém e Betânia são a periferia de Jerusalém. E é nessa periferia que inicia e finda a narrativa sobre a vida de Jesus. Assim sendo a periferia de Jerusalém, onde vivem os mais pobres e marginalizados, é colocada no centro do interesse do ministério de Jesus.

 

3. Os discípulos retornam à Jerusalém. O caminho de Jesus apresentado pelo evangelho de  Lucas é construído anunciando a salvação para todos os povos e aproxima Jesus dos pobres, necessitados e desprezados pela sociedade. Jesus envia os discípulos para a capital do poder, e lá receberão o Espírito Santo em forma de um novo poder. Esse poder não vai explorar, nem oprimir ou exigir sacrifícios do povo. Jesus ao enviar os discípulos à Jerusalém aponta para eles o exercício do ministério profético de confronto e contestação com o status quo vigente. Jerusalém e todos os instrumentos de morte lá existentes precisam ser confrontados. A morte não venceu a vida. O episódio da Ascensão não se configura como um final, um epílogo da história da vida de Jesus. A ascensão nos remete à fé de que Jesus está vivo entre nós. Ele é diferente de nós, e ao se ausentar de nosso meio não nos abandona. Sua história e ministério se perpetuam através da nossa história e ministério. O poder a nós delegado é sempre o do serviço ao nosso semelhante (Nota: poder=força, energia para servir). Precisará sempre contestar a realidade presente. No tempo de Jesus era Jerusalém. Hoje dezenas de “jerusaléns” continuam a oprimir, escravizar e empobrecer os povos no mundo inteiro. O nosso ministério e o ministério da Igreja hoje se constrói em Betânia ou em Jerusalém? [Elias Maper Vergara, Pão da Vida, Ano C, CEA, p.223, transcrição parcial].

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Derval Dasilio

Pastor da Igreja Presbiteriana Unida

  

 


 
 

      

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