![]() 6º Domingo do Tempo Comum – Ano “C”
Em
todas as leituras deste domingo, uma ênfase ocorre insistentemente. Jesus
Cristo, o ressuscitado, na vida de quem já foi ressuscitado, continua
convocando agentes de transformação para a missão de Deus. Se a existência
de cada um sofre transformações, é imperativo que “cada um” se compenetre
sobre a necessidade dos outros. A Palavra é sumamente eficaz. O Evangelho
de Cristo se impõe em nossas vidas, muda os horizontes, muda o modo de ver
qual o sentido da vida e da existência, enquanto nos convida a colaborar
com a missão de Deus, já conhecida pelos profetas. Isaías, Pedro, Paulo,
mudaram suas vidas, reconhecendo a missão de Deus. A vocação não é um
assunto meramente individualista, intimista, descomprometido e
a-histórico. Toda vocação autêntica se realiza a partir da perspectiva do
reino em função de gerar relações humanas mais justas e fraternas. Este é
o sentido das bem-aventuranças.
O
ser humano tende a colocar sua confiança naquilo que lhe proporciona
prazer, poder ou prestígio. O profeta Jeremias chama fortemente a atenção
sobre esta realidade. A verdadeira felicidade não se baseia em coisas
passageiras, que passam e desaparecem. A autêntica alegria procede do
próprio Deus. Quando se põe a confiança em Deus, a vida toma sentido,
torna-se forte e radical. Somente quem assume o projeto de Deus poderá dar
frutos abundantes.
A
certeza de nossa fé está enraizada na ressurreição de Cristo. Assim o
expressa Paulo aos Coríntios. É na ressurreição de Cristo que nossa vida
cristã adquire sentido pleno. Confiamos em nossa própria ressurreição; por
isso estamos dispostos a chegar até as últimas conseqüências na vivência
do Evangelho. As perseguições, as rejeições, inclusive o martírio, podem
ser enfrentadas com integridade quando se tem a firme convicção de que a
última palavra não é da morte, mas da vida.
Lucas,
de modo diverso de Mateus, coloca as bem-aventuranças num plano, e
contrapõe as lamentações às bênçãos. Diz Lucas que havia muita gente
ouvindo Jesus. E, em sua versão, sublinha a verdadeira felicidade para os
pobres, os aflitos, os necessitados e os perseguidos.
É
com eles que se inaugura uma nova etapa de salvação: o reino é satisfação,
gozo, alegria, plenitude. Ao mesmo tempo, assinala as “mal-aventuranças”
para os bem-postos, os satisfeitos, os que levam uma vida de prazer e
bem-estar, esquecido dos
restantes, os que gozam de boa fama e privilégios. Para eles, serão o
pranto, a necessidade, a tristeza e a desolação. Não porque Deus queira a
desgraça de alguém. É que os satisfeitos se fecham com demasiada
freqüência à novidade do reino e se “encerram” em seu próprio egoísmo, sua
cobiça e ambição. Para entrar no reino necessita-se, pelo contrário, de
despojamento, abertura e a disponibilidade para o serviço aos outros. Lamentavelmente,
na sociedade “light”, de duas caras, tíbia e sem cor, esvaziamos o
espírito e a força das bem-aventuranças e das denúncias de Jesus.
Parece-nos, então, que o Senhor não pode ser tão exigente e radical em sua
pregação e prática. Preferimos dar-lhes sabor mais doce e coloração
desbotada a essas passagens cheias de vigor profético, que assinalam com
tanta clareza e sem ambigüidades a opção de Jesus pelos excluídos e
empobrecidos da história. Como
experimentamos as bem-aventuranças e as “mal-aventuranças” em nossa vida
pessoal e comunitária? Quem são hoje em nosso redor, social e eclesial, os
bem-aventurados?
[Pesquisa: Derval Dasilio.
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