6º Domingo do Tempo Comum – Ano “C”


Jeremias17, 5-8-Feliz o homem que pôs sua esperança no Senhor
Salmo 1 - Meditação sobre a vocação humana.
Coríntios 15, 12. 16-20 - Nossa ressurreição em Cristo.
Lucas 6, 17. 20-26 - Felizes os famintos, Deus os vê em primeiro lugar
 

Em todas as leituras deste domingo, uma ênfase ocorre insistentemente. Jesus Cristo, o ressuscitado, na vida de quem já foi ressuscitado, continua convocando agentes de transformação para a missão de Deus. Se a existência de cada um sofre transformações, é imperativo que “cada um” se compenetre sobre a necessidade dos outros. A Palavra é sumamente eficaz. O Evangelho de Cristo se impõe em nossas vidas, muda os horizontes, muda o modo de ver qual o sentido da vida e da existência, enquanto nos convida a colaborar com a missão de Deus, já conhecida pelos profetas. Isaías, Pedro, Paulo, mudaram suas vidas, reconhecendo a missão de Deus. A vocação não é um assunto meramente individualista, intimista, descomprometido e a-histórico. Toda vocação autêntica se realiza a partir da perspectiva do reino em função de gerar relações humanas mais justas e fraternas. Este é o sentido das bem-aventuranças.

O ser humano tende a colocar sua confiança naquilo que lhe proporciona prazer, poder ou prestígio. O profeta Jeremias chama fortemente a atenção sobre esta realidade. A verdadeira felicidade não se baseia em coisas passageiras, que passam e desaparecem. A autêntica alegria procede do próprio Deus. Quando se põe a confiança em Deus, a vida toma sentido, torna-se forte e radical. Somente quem assume o projeto de Deus poderá dar frutos abundantes.

A certeza de nossa fé está enraizada na ressurreição de Cristo. Assim o expressa Paulo aos Coríntios. É na ressurreição de Cristo que nossa vida cristã adquire sentido pleno. Confiamos em nossa própria ressurreição; por isso estamos dispostos a chegar até as últimas conseqüências na vivência do Evangelho. As perseguições, as rejeições, inclusive o martírio, podem ser enfrentadas com integridade quando se tem a firme convicção de que a última palavra não é da morte, mas da vida.

Lucas, de modo diverso de Mateus, coloca as bem-aventuranças num plano, e contrapõe as lamentações às bênçãos. Diz Lucas que havia muita gente ouvindo Jesus. E, em sua versão, sublinha a verdadeira felicidade para os pobres, os aflitos, os necessitados e os perseguidos.

É com eles que se inaugura uma nova etapa de salvação: o reino é satisfação, gozo, alegria, plenitude. Ao mesmo tempo, assinala as “mal-aventuranças” para os bem-postos, os satisfeitos, os que levam uma vida de prazer e bem-estar, esquecido  dos restantes, os que gozam de boa fama e privilégios. Para eles, serão o pranto, a necessidade, a tristeza e a desolação. Não porque Deus queira a desgraça de alguém. É que os satisfeitos se fecham com demasiada freqüência à novidade do reino e se “encerram” em seu próprio egoísmo, sua cobiça e ambição. Para entrar no reino necessita-se, pelo contrário, de despojamento, abertura e a disponibilidade para o serviço aos outros.

Lamentavelmente, na sociedade “light”, de duas caras, tíbia e sem cor, esvaziamos o espírito e a força das bem-aventuranças e das denúncias de Jesus. Parece-nos, então, que o Senhor não pode ser tão exigente e radical em sua pregação e prática. Preferimos dar-lhes sabor mais doce e coloração desbotada a essas passagens cheias de vigor profético, que assinalam com tanta clareza e sem ambigüidades a opção de Jesus pelos excluídos e empobrecidos da história.

Como experimentamos as bem-aventuranças e as “mal-aventuranças” em nossa vida pessoal e comunitária? Quem são hoje em nosso redor, social e eclesial, os bem-aventurados? 

 

 


 

[Pesquisa: Derval Dasilio. O responsável pelos textos deste site* estará em recesso durante as próximas semanas; todos os textos bíblicos semanais/dominicais conferem com o Lecionário do Manual do Culto, Pendão Real/IPI, Brasil; Retiramos os comentários das seguintes fontes: Isedet - Instituto Ecumênico de Estudos da Teologia; Servicio Bíblico Latinoamericano/Agenda Latinoamericana/ Selah – Red de Liturgia CLAI].

 

 
 
 

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