|
4º
DOMINGO/TEMPO COMUM - ANO
C
Salmo
71,1-6 – Minha boca proclamará sua
justiça ______________________________________________________
O
texto de Jeremias tem duas partes, a primeira (vv. 4-5) refere-se à sua
vocação e a segunda (vv. 17-19) a seu envio profético. O chamado de
Jeremias foi marcado desde o início pela palavra: “Foi-me dirigida
nestes termos a palavra do Senhor”. O profeta foi chamado pela Palavra
a fim de ser palavra de Deus no meio de seu povo. A Palavra o conhece
desde antes de seu nascimento, o que significa uma intimidade profunda de
Deus com o profeta. A Palavra o consagra, quer dizer, Deus reserva-o para
si, antes mesmo de nascer. Conhecer e consagrar são o marco para a missão
de Jeremias: ser profeta das nações. A partir do v. 17, Jeremias se
converte em palavra de Deus ambulante. Deve dizer em público o que Deus
lhe manda. Mas dizer a verdade sempre foi problemático e perigoso porque
mexe com os interesses de muitas pessoas, com as estruturas sociais e os
sistemas de pensar. Por
isso, Deus o previne para que não tenha medo de enfrentá-los. O temor não
é alheio à vocação profética; mas o importante é não abandonar a vocação
porque então seria Deus quem nos assustaria, quer dizer, deixar de
chamar-nos, de escolher-nos e de consagrar-nos, deixar de confiar
1Coríntios
12, 31 – 13, 13. Este primoroso canto ao amor, tem como contexto global a
discussão dos coríntios em torno dos carismas. Com o texto de hoje, Paulo
afirma categoricamente que o único “carisma” absoluto é o do amor. O amor
a que se refere o autor não é o amor dos gregos (eros), mas o amor
dos cristãos (agape), que é um amor que se recebe, mas também se
entrega, serve-se e até dá a vida pelos irmãos. Sem amor, não tem sentido
nem o melhor dos carismas; sem amor, a palavra profética cai no vazio, sem
amor, o amor de Deus passa longe de nossas vidas. Podemos
dividir o cântico em três partes. Na primeira, (vv. 1-3), enumera-se uma
série de carismas que nada são se faltar o amor. Na segunda (vv. 4-7), são
enumeradas quinze características do amor cristão; sete são apresentadas
de forma positiva e oito de forma negativa. Na terceira, (vv. 8-13) Paulo
termina seu cântico reafirmando a eternidade do amor. O amor, que a tudo
pode mudar, é o único que não mudará; que será o mesmo eternamente. Entre
a fé, a esperança e o amor, este último é o maior, ficando patente, para
os coríntios e para os cristãos de todos os tempos, a superioridade do
amor sobre qualquer outro carisma. Lucas
4, 21-30. Domingo passado, depois da leitura que Jesus fez do profeta
Isaías, o evangelho terminava, dizendo que “todos os presentes tinham os
olhos fixos nele”. O evangelho de hoje dá prosseguimento à cena que – como
nos lembramos – desenrola-se na sinagoga de Nazaré. Jesus diz que na
pessoa dele se cumprem as palavras de Isaías, quer dizer, que é o ungido
(o Messias) para anunciar a Boa Nova aos pobres e oprimidos... e o ano de
graça do Senhor [ *Nota: É imprescindível conferir a relação com o Jubileu
bíblico: Lev.25,31; Ex 21,2-11; Deut. 15,1-6]. Os
vv. 22-30 podem ser divididos assim: v. 22: a reação do povo; vv. 23-27: a
resposta de Jesus; vv. 28-29: indignação e tentativas dos nazarenos de
matar Jesus; v. 30: Jesus continua seu caminho. É
interessante notar o contraste entre a reação do povo no v. 22 e a dos vv.
28-29. Inicialmente, o povo o aprovava e ficava admirado com seu
conterrâneo, mas eles não conseguiam ver em Jesus a graça de Deus que saía
de seu lábios, nem perceber nele o profeta anunciado por Isaías, mas
simplesmente Jesus, filho de José. Jesus
percebe que seus patrícios não estão interessados em suas palavras, mas em
seus gestos, interessa-lhes antes de tudo um espetáculo cheio de milagres,
que cure os doentes do povoado e basta Jesus lhes responde com um refrão:
“nenhum profeta é bem recebido em sua pátria”, deixando claro que em
Nazaré não haverá milagre algum. Entre
os vv. 25-27, Jesus se refere ao Antigo Testamento para explicar sua
situação. O verdadeiro profeta não se deixa monopolizar, nem muito menos
pressionar, para satisfazer a um auditório interessado somente no
espetáculo, ou em interesses individuais, embora seja ele sua própria
família ou seu próprio povo. O
profeta é livre e só tem compromisso com a palavra de Deus. A história de
Elias e Eliseu recorda aos “nazarenses” como estes tiveram que ir à terra
de pagãos porque seu próprio povo não queria ouvi-los. A característica da
mulher de Sarepta é sua confiança em Deus, confiando sua vida e a de seu
próprio filho num estrangeiro como Elias; e característico do sírio Naamã
é deixar de lado o orgulho e a soberba nacionalistas diante das palavras
de Eliseu. A própria Igreja reconhecerá neste texto sua missão de anunciar
a Boa Nova aos mais distantes, quer dizer, a Palavra lança suas primeiras
raízes nas pessoas e nas famílias, mas estas não são seu destino final;
tem de ser uma palavra que busque sempre o caminho dos mais afastados e
necessitados. As
palavras finais de Jesus enfurecem os presentes e tentam precipitá-lo
monte abaixo, fora do povoado. É curioso como os pobres de Nazaré,
sujeitos preferenciais do anúncio da Boa Nova, convertem-se em sujeitos de
ódio e de morte, desprezando a palavra presente em sua terra. Mas a
palavra não pode morrer, e Jesus continua seu caminho missionário a
serviço dos pobres, marginalizados e excluídos, com uma palavra de Vida,
embora ameaçada sempre de morte por aqueles que fazem de sua vida uma
“má-notícia” de egoísmo e morte. *
Pesquisa, adaptação e notas: Derval Dasilio. Fonte: Serviço Bíblico
Latino-Americano [O responsável
pelos textos deste site* estará em recesso durante as próximas semanas;
todos os textos bíblicos semanais/dominicais que serão publicados,
porém, conferem com o Lecionário do Manual do Culto, Pendão Real/IPI,
Brasil; Retiramos os comentários das seguintes fontes:
Isedet-Instituto Universitário-Argentina; Servicio Bíblico
Latinoamericano/Agenda Latinoamericana/ Selah – Red de Liturgia
CLAI]. |
|
Clic na imagem para ler comentários anteriores Webdesigner: Eveline Coordenador: Derval Dasílio Respeite os direitos autorais |