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2o DOMINGO DO ADVENTO – ANO 'C'
Malaquias 3,1-4 :
Meu mensageiro vai preparar o meu caminho
ARREPENDEI-VOS: PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR
Advento e vida ecumênica, viver sob a Salvação em autêntica unidade, implica em responsabilidade cooperativa. Claude Labrunie, pastor e teólogo presbiteriano, perguntava, domingo passado, em minha igreja local: “Sabemos o que é esperar a Salvação? Trata-se de uma pergunta que devemos fazer a partir do reconhecimento de nossas infidelidades quanto ao projeto de Deus, considerando se o primeiro sentido não é a ‘esperança de salvar-nos de nós mesmos’. Somos os maiores adversários do projeto de Deus de salvar-nos. Depois perguntaríamos: Jesus veio para nos salvar de quê? E salvar para quê? Respostas no Evangelho apontariam que o Senhor nos salvará porque somos egoístas, exclusivistas, particularistas, não-solidários, sem compaixão pelo próximo, em primeiro lugar”.
Paulo dizia: “Se Deus me escolheu, enquanto eu era um assassino, eu que perseguia meus irmãos israelitas, por uma razão mais forte vocês foram escolhidos”. Eleição e salvação não são dissociadas. Nunca fomos escolhidos por nós mesmos, é Deus que nos chama, poderia dizer Karl Barth. Jesus Cristo vem aos homens e mulheres, conhecidos como povo da Bíblia por serem pobres, marginalizados e escravos, em maioria. Nem por isso seriam absolvidos previamente, em razão de sermos todos humanamente fracos, carnais, interesseiros, gananciosos, pouquíssimo voltados para o espírito, dentre toda a humanidade. Devemos compreender que é através de nós que o Cristo de Deus age para a salvação e transformação do mundo. Talvez seja essa a espiritualidade do Advento, respondendo à segunda pergunta do teólogo citado no início.
O Advento fala de coisas importantes que poderiam ser pensadas neste tempo: vigilância e conversão. Todos poderão ver a salvação que vem de Deus. Maravilhosa, a promessa do Reino de Deus. Jerusalém é uma “mãe enlutada” que viu seus filhos partirem para a escravidão e as prisões, expatriados. Deus é uma Mãe desolada, mas vai fazê-los retornar livres e festejados como um rei que vai tomar posse de seu trono. Esse trono recebe um nome simbólico: Paz com Justiça – Glória Misericordiosa. É como dizer que a Salvação tem nome, e procede da misericórdia de Deus. O texto de Malaquias, precede o Evangelho: ‘Vou enviar um mensageiro para preparar o meu caminho’. Eis a mensagem da Natividade, segundo as Escrituras. Nossos profetas, também contemporâneos, enriquecem o Evangelho do Reino de Deus com suas mensagens.
Marcelo Barros escreveu: “Exatamente daqui a um mês as Igrejas e a sociedade ligada à tradição cristã festejarão o Natal. Ninguém sabe o dia em que Jesus nasceu. Celebramos uma data simbólica para nos recordar que, na pessoa de Jesus de Nazaré, Deus se revela presente em um ser humano como qualquer um de nós e, assim, nos ensina que, quando assumimos nossa dimensão mais humana, o divino presente em nós desabrocha. “Jesus nasceu e viveu em uma sociedade que se sentia forçada a isolar-se cultural e religiosamente para preservar sua identidade (religiosa). Ele assumiu em tudo a identidade judaica e viveu a cultura do seu povo. Mas, como profeta, sempre estimulou seus irmãos e irmãs de raça e religião a alargar suas fronteiras e compreender que Deus não assinou contrato de exclusividade com nenhuma religião nem aceita ser propriedade privada de ninguém. Nós, seres humanos é que, se quisermos, pertencemos a ele. “Por falar e agir assim, Jesus foi criticado e rejeitado. Veio para o que era seu e os seus não o acolheram (Jo 1, 11). Jesus constata: Muitos virão do Oriente e do Ocidente (das mais diversas religiões e culturas) e se sentarão à mesa do Reino com Abraão, Isaac e Jacó, enquanto os que se consideram filhos do Reino ficarão de fora (Mt 8, 11- 12). Isso ocorreu desde o seu Natal. Sábios pagãos, astrólogos e adoradores das estrelas que o Evangelho chama de magos vieram do Oriente e o adoraram, enquanto os escribas apegados à leitura fundamentalista da Bíblia Hebraica souberam ler com exatidão a profecia mas não se converteram ao amor, e foram indiretamente responsáveis pela matança das crianças de Belém (o evangelho não separa a natalidade do Senhor do infanticídio conseqüente). “Para mostrar como o Reino de Deus é universal e não exclui ninguém, Jesus elogiou a fé de uma mulher sírio-fenícia que, naturalmente, vivia na religião cananéia (Mt 15, 28); pôs como centro de duas parábolas um samaritano, a quem os judeus consideravam herege e idólatra. Além disso, aceitou ir à casa de um oficial romano, gesto que espantou tanto ao próprio centurião que este reagiu: Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa (Lc 7,6). O homem sabia que, entrando em sua casa, Jesus se tornaria impuro perante os judeus, não podia orar no templo e seria condenado pelos homens da lei. “Por que Jesus agiu assim? Somente por ser uma pessoa muito aberta? Por acreditar que quem nos salva não é religião, nem Igreja e sim o amor universal de Deus? Ou será que foi por ter percebido que os religiosos têm mania de fazer Deus refém de seus interesses, jogos de poder e prestígio? Já no primeiro testamento, Deus tinha proibido de pronunciar o seu nome e a tradição cristã traduz o versículo do Êxodo: Não usar falsamente o nome de Deus. A razão maior pela qual Jesus exigiu dos sacerdotes e religiosos (crentes) do seu tempo uma liberdade interior perante a lei, uma capacidade crítica com relação ao culto e uma abertura universal foi sua decisão de revelar um rosto novo de Deus. “Quem habituou-se a crer em Deus como um ‘todo-poderoso’ qualquer - juiz que condena os maus ao fogo eterno e premia os virtuosos - nunca compreenderá a parábola chamada do filho pródigo que mostra o pai abraçando e se congratulando com o filho desviado. Nunca aceitará que o pastor deixe as 99 ovelhas no redil e parta em busca da que se perdeu, não para colocá-la em um único redil (Eu tenho outras ovelhas que não são deste aprisco: Jo 10,16). É preciso que eu as conduza e assim haverá um só rebanho e um só pastor). Jesus revela que Deus é Amor Infinito. Em sua ternura, é capaz de compreender qualquer idioma e aceita ser chamado de mil maneiras até porque nenhum nome faz justiça ao mistério do seu ser. A toda pessoa que, em qualquer caminho, o procura, ele diz: ‘Tu não me procurarias, se eu já não tivesse te chamado e inspirado’ ” [Marcelo Barros, Monge Beneditino]. O tempo chegou ao seu termo: convertei-vos e acreditai no Evangelho’ (Mc 1,15).
Texto: Derval Dasilio Pastor da Igreja Presbiteriana Unida Designer: Eveline Coordenador do PQD: Ricardo César Vasconcelos
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