1o. DOMINGO DA QUARESMA - CICLO DA PÁSCOA – Ano
“C”
Deuteronômio, 26, 1-11: Profissão de fé do povo
escolhido
Salmo 91,1-2; 9-16: Na tribulação, estarei com
ele
Romanos 10, 8-13: Profissão de fé do que crê em Jesus
Cristo
Lucas 4, 1-13: O Espírito levou-o ao deserto, onde foi
tentado
O evangelho nos apresenta Jesus no deserto, assediado
por tentações do inimigo. Jesus apenas recebe seu
batismo das mãos de João Batista, e imediatamente se retira para um lugar
deserto, não com a finalidade de ser tentado, mas para projetar seu futuro
com base no passo que acabava de dar.Em segundo, o povo foi escolhido não
por sua qualidade de poderoso e forte, mas por sua condição de humilhado e
oprimido pelo tirano da vez: o Egito.Em terceiro, sobressai a atitude
misericordiosa de Deus, que não se fixa nos grandes e poderosos, mas no
pequeno e no humilde; portanto, Israel não pode ser comparado a um povo
presunçoso e soberbo; sua função é fazer transparecer só o poder e a
misericórdia de Deus, que age no mundo, valendo-se do pequeno e do
simples.
É necessário que estejamos atentos a todos os elementos que
“molduram” esta passagem: batismo, deserto, tentações. O batismo assinala
o momento decisivo em que, consciente e livremente, Jesus decide dar
início a um determinado estilo de vida; contudo, decidir por uma
determinada forma ou projeto de vida não implica necessariamente que já
esteja tudo claro sobre como realizar esse projeto; pelo contrário, é o
momento mais crítico, posto que imediatamente surjam várias alternativas
que o crente tem que sopesar e sobre as quais tem que fazer um
consciencioso discernimento para ver qual dentre todas se adapta mais e
melhor ao seu projeto pessoal. Ante essa realidade, encontra-se Jesus, e o
evangelista descreve-a muito acertadamente em forma de tentação e em
perfeita conexão com a mentalidade bíblica: num ambiente físico de
deserto; contudo, nós não necessitamos ficar com o conceito material de
deserto como lugar geográfico, nem com a quantidade de tempo que Jesus
esteve ali, como um verdadeiro dado
cronológico.
Para nós e, com toda a segurança, para a comunidade de
Lucas, o que contava era o valor simbólico do deserto como lugar da
consciência, e o tempo como o período ou processo no qual Jesus amadureceu
sua vocação e seu projeto pessoal ou opção de vida (Serviço Bíblico
Latino-Americano).
“Foi Sua constante tentação suportar o desafio da cruz,
mantendo clara a consciência de ser o Filho de Deus. Como São Lucas
demonstra hábil capacidade literário (muito mais que o outro par
sinótico), ele coloca os dípticos em seu evangelho de modo progressivo. Na
narrativa da Tentação, coloca como a última tentação e, por isso, a mais
lancinante de todas, a tentação que se passa em Jerusalém, no pináculo do
Templo. Justamente, lá no Templo, diante do Sinédrio, Nosso Senhor retorna
à esta mesma questão: “Se és Filho de Deus” (cf., Lc 4.9 = Lc. 22.70).
Sendo que a narrativa da paixão inicia, justamente, com o diabo se
apossando de Judas (cf., Lc 22.3). Sendo que no outro díptico, no painel
da Transfiguração, somente São Lucas comenta o conteúdo da fala de Elias,
Moisés e Nosso Senhor: “falavam de Sua morte, que teria lugar em
Jerusalém” (cf., Lc 9.3).
Segundo São Lucas a vida de Nosso Senhor
tem um “dêi”, ou seja, um “mister” ou um “dever”, quase uma “necessidade:
ir para Jerusalém. O material mais extenso de sua narrativa são os “Textos
do Caminho” (ou Narrativas do Caminho). Esta sessão especial, própria de
São Lucas, inicia com a afirmativa: “manifestou, no semblante, a intrépida
resolução de ir para Jerusalém” (cf., Lc 9.51). Neste evangelho Nosso
Senhor é visto como alguém que, saindo da periferia (Galiléia), dirige-se
ao centro do poder (Judéia = Jerusalém). Neste caminho vai se revelando
que Ele é e, mais tarde, em Atos dos Apóstolos, os cristão são
identificados, primeiramente como “os do caminho” (cf., 9.2,27; 18.26;
19.9,23; 22.4; 24.22). É claro e notório que, ao narrar sobre “o Caminho”
de Nosso Senhor, marcado pela Tentação, cujo objetivo é “ir para
Jerusalém”, significando com isso que o caminho é na direção da cruz (da
paixão), São Lucas discute, na verdade, a missão ou caminho da Igreja.
Assim como Ele destinou-se à Jerusalém para a paixão, morte e
ressurreição, a Igreja, ressuscitada com o Senhor tem um caminho a seguir:
“de Jerusalém até os confins da terra” (cf., At 1.8)”. Escreveu Carlos
Alberto F. Chaves, pastor da IPB.
Serviço Bíblico Latino-Americano – / Lecionário Litúrgico –
Orkut
Transcrição: Derval Dasilio