1o DOMINGO DO ADVENTO –  ANO  C

 

Jeremias 33, 14-16: Levantarei de Davi um herdeiro legítimo.

Salmo 96 –  Cantai ao Senhor, proclamai a sua salvação.

1 Tessalonicensses - 3,9-13; 4,2: Uma salvação que lhes dê uma segurança interior.

Lucas  1,25-28; 34-36 - A libertação está próxima.

 

 

 

ADVENTO: EXIGÊNCIA DE VIGILÂNCIA INCESSANTE

 

O ano litúrgico da Igreja de Cristo vai começar com o Ciclo Natalino do Ano “C”. O tempo é o do Advento, esperaremos a vinda do Senhor. As Escrituras estão contando a História da Salvação. A Igreja é a primeira interessada, todos devem tomar consciência da Salvação e reativar suas esperanças. São várias as implicações desse tempo: vigilância, alerta constante, pois a novidade chega a qualquer momento. Em Jesus, Deus em carne e osso, dentro da história humana, o reino de fraternidade, de paz e de justiça, nos chega. De modo radical, a promessa decisiva de transformação do mundo é cumprida. O Cristo de Deus, através de nossa conversão, nova mudança no itinerário da fé, um caminho sempre incompleto, se anuncia.  É hora de reproduzir e fazer repercutir o Evangelho.

 

Não existe em nós espanto sobre sinais no espaço cósmico, o sol, a lua, as estrelas. Nossa angústia e insegurança residem nos sinais da crise econômica, conflitos sociais evidenciados nos sem-teto, sem-terra, sem-emprego, sem-saúde, sem-escola formadora do desenvolvimento, neste mundo. Mas há racismo velado, camuflado, contra políticas afirmativas reina a  intolerância. Existem sinais de crise política, corrupção, abuso  de poder, esforço das elites dominantes para restringir a participação popular nos privilégios que alcançou, cooptação à mais recente expressão da selvageria liberal, exclusivista, exigente de mais privilégios e bem-estar individual.  E falta pão e trabalho. Há frustração... frustração... muita frustração.

 

Prepararem o caminho do Senhor” (Is 40,3-5). João Batista é a voz que clama no deserto: "Endireitem os caminhos do Senhor... façam penitência, porque no meio de vocês está quem não conhecem, do qual eu não sou digno de desatar os cordões das sandálias... Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo" (Mc 1,1-3; Jo 1,29). Tantas são as estruturas perversas, tantos são os pecados estruturais que oprimem os sem-poder, desvalidos, escravos do mal social e dos sistemas injustos (religião alienada, política que se justifica com corrupção, economia acumuladora do capital, judiciários a serviço da opressão social). Como acontecerá a salvação? No Advento refletimos sobre a palavra de Deus, no que diz respeito à chegada do reinado de Deus. A justiça começa nos corações arrependidos porque adotamos a religião de mercado, ou do fatalismo e do conformismo. Corações ao alto!

 

Lucas 1,25-28; 34-36 – Nosso tempo  aponta ênfases que contaminam nosso cérebro, inteligência e consciência. Não aceitamos a miséria... sendo a nossa!  Fome, avareza, ganância, exploração da sexualidade, estão fora do vocabulário do consumismo que adotamos. Abuso do poder, desrespeito à dignidade humana, racismo sutil, preconceito social, privilégios financeiros, entre outros, tornam-se virtudes. Fazem parte do projeto individual de cada um. Por acaso há igualdade verdadeira na distribuição de recursos para o desenvolvimento de todos no mundo em que vivemos? Pensamos em eqüidade? Enfim, a igualdade se manifesta como homogeneização da massa dos conformados; dos que não perguntam; dos que não sofrem com a falta de compaixão e misericórdia; com a falta de amor ao próximo ou distante. É inaceitável para o cristão, que isto exista. Essa é uma enfermidade com conseqüências desastrosas na vida de todos. Podemos compreender esta lição sobre o sentido do amor para a humanidade inteira? “Interações regidas pelo amor e suas emoções e gostos derivados: a confiança, a generosidade, a reciprocidade, a solidariedade, a cooperação, o desprendimento, a partilha, a co-responsabilidade e co-participação” nos lembrarão da vocação original do mundo criado e dos homens e das mulheres aos quais foi dada a “gerência” desses valores (Carlos Rodrigues Brandão)?

 

A necessária atitude de vigilância nos leva a redescobrir  o “Cristo que vem” nas situações atuais, para restabelecer o reinado desses valores. O Advento é um tempo litúrgico que nos lembrará a necessidade de conversão e de esperança, ao mesmo tempo. Vale para todos os dias, o ano inteiro. Uma exigência irrefutável é a vigilância, atenção para com os sinais dos tempos. “Levantem a cabeça... despertem!...”, alerta o Evangelho. Às vezes somos desconcertados com o silêncio, quanto aos acontecimentos de nossa vida que normalmente levantariam um clamor de indignação. O texto de Lucas, hoje, é muito difícil, fala que a libertação chega.  A parousia, segunda vinda do Senhor, está na pauta do dia. Trata-se de um discurso de Jesus. É apocalíptico, significa “revelação”, não quer dizer catástrofe. 

 

É preciso ler de novo a realidade, o que está acontecendo.  Os sinais estão presentes no mundo natural e no mundo da História. O Reino chega. O Advento profetiza. É assim que se manifesta o Espírito do Senhor, na realidade humana e na história dos homens e das mulheres: o Espírito de Deus desvendará os segredos da História, à qual está vinculada a história de cada um, agentes de transformação. A verdade que estava oculta aparecerá em plena luz. Como está em 1Coríntios 13,12: “O que vemos agora é como ver no espelho. Então, nós  veremos cara a cara”. De frente para os acontecimentos. Alerta geral! De frente para os crimes que se cometem contra a humanidade. Este é o Advento do reinado de Deus, chegou a Salvação.

 

 

Derval Dasilio

Pastor da Igreja Presbiteriana Unida

 

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