31o. Domingo do Tempo Comum

Ano "A" 

 

PROTESTANTISMO  SIMULADO E INFIEL

 

Josué 3,7-17 –  Como fiz com Moisés, ofereço-te a liberdade

Salmo 107,1-7; 33-37 –  Porque a  misericórdia do Senhor dura para sempre...

1Tessalonicenses 2, 7b-9.13 - Deves dar  a própria vida pela causa...

Mateus 23, 1-12 –  Eles falam, mas não praticam

 

O livro de Josué aponta duas direções: completa o êxodo, como saída da escravidão e servidão egípcia, primeiramente na direção da liberdade econômico-social, política, portanto. Em segundo lugar, inaugura-se uma nova etapa, dentro do esquema “servidão” em nação estrangeira, vida sedentária por quase duas gerações, e passagem do sedentarismo para a conquista de um lugar político próprio sob governo tribal (anfictionia). É preciso compreender  um espaço de quase 700 anos até que esta história viesse a ser contada. Josué faz parte da História Deuteronomista (greg. dêutero = segundo).

 

Observemos que este capítulo adota uma técnica  “concêntrica”: o princípio e o fim se encontram novamente na narrativa da partida  e da chegada. Todas as referências apontam posições geográficas, os discursos de instrução são seguido da “práxis” obrigatória; os discursos de governo controlam o movimento do povo.  Primeiro a\os sacerdotes, e em segundo  ao povo. Um discurso religioso  e um discurso político.  Mas o “orador” eleito é Yahweh, Deus de Israel. A síntese é o que mais interessa, na fala de Josué: o milagre da liberdade e da libertação aponta para “o Deus vivo” que os profetas distiguirão das divindades  cananitas: deuses com pés-de-barro, não andam; que têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem; têm boca, mas não falam (Jeremias 5,3-5).  Deus é o Senhor da vida, não é uma divindade inerte e impassível diante da História.  Josué fala, Yahweh assina embaixo. Não é, também, o momento de se erigir um obelisco à margem do Mar Vermelho. Esta etapa já foi cumprida, à frente está a história que ainda deverá ser construída. "Allons enfants, le jour de gloire, est arrivée”, é necessário atravessar o Jordão! Uma nova história começa, em Israel.

 

O ensinamento de Jesus se orienta nesta mesma direção e põe em cheque as pretensões de tantOs que se preocupando pela “ortodoxia doutrinal”, dogmática, e descuidam dos principais elementos da justiça de Deus (Mateus 23, 1-12). A catequese se preocupou durante longo tempo em transmitir a doutrina corre. Por isto, se de deu ênfase em aprender os mandamentos (igrejas tradicionais costumam fixar uma escultura das taboas da Lei, como símbolo evangélico... é evidente o apego ao judaísmo bíblico), os sacramentos, os dons do Espírito Santo e seus frutos, e outras muitas tradições dogmáticas. Este interesse catequético é legítimo, excluindo o apego judaizante da Igreja. Inquestionável, não. Sem dúvida, é necessário perguntar: a catequese que se preocupa tanto pela “reta doutrina”, a chamada “ortodoxia”, se preocupa igualmente pela prática correta, corresponde ao dinamismo da Igreja, ou é um freio para sua permanente reforma?

 

O evangelho de Mateus é direto e irrefutável. Indica que aceitemos a ortodoxia sempre, e quando está baseada e fundamentada na “ortopráxis” de Jesus, isto é, na prática da justiça. Anunciar doutrina corretas, impostas, é fácil, sugere Mateus. A questão é praticá-las. O difícil é praticar o que a Lei manda. “Leiam o Deuteronômio:O Senhor disse a Moisés. Desce depressa, porque o teu povo já se corrompeu, entregue os meus mandamentos: - não haverá pobres e oprimidos Israel;- não te esqueças que o Senhor te tirou da casa das escravidões;-  olhei em volta e vi que vocês fundiram um bezerro de ouro para adorar, destruam-no; - lembra-te que o Senhor faz justiça aos desvalidos, órfãos e viúvas ao redor” . Por isso, urge revisar a prática catequética que os sistemas doutrinais. Durante muito tempo nossa catequese se limita, em grande parte, a memorizar preceitos, doutrinas e fórmulas. Mas o evangelho indica, sem esquecer tudo  isto, a preocupação em realizar-se o que a verdadeira e “reta doutrina” que a Bíblia  propõe. O fundamental de toda doutrina cristã, contida no evangelho, é a prática da justiça de Deus. No serviço expresso em uma exigência irrevogável por direitos fundamentais. Justiça para todos (como expressa a Carta dos Direitos Humanos, da ONU). Preferencialmente o pobre (anawin), o “órfão e a viúva”, os deserdados socialmente.  A comunidade cristã existe para anunciar boas noticias à vida concreta. Converte-se ela mesma em boa notícia quando transforma as realidades da morte em caminhos para a vida em abundancia e não quando se anuncia a si mesma. Disse Jesus. 

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Derval Dasilio

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