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26o. Domingo do
Tempo Comum Ano "A" Êxodo
17,1-7 – Estará o Senhor conosco? Salmo
78,1-4;12-16 – Escutai o que
digo, povo meu... Filipenses
2,1-11–Tende o mesmo sentimento que existe em Cristo
Jesus Mateus
21,23-32– Cobradores de impostos e prostitutas entram antes de vós no
Reino PODE-SE COLOCAR DEUS CONTRA A PAREDE? Um
chamado à prudência e ao bom senso sempre faz bem ao povo bíblico
envolvido em intrigas e completamente alienado nas permanentes
conspirações eclesiásticas, em meio a tanta necessidade e tensão. Alguma
novidade? Caos e confusão doutrinal nas comunidades cristãs alimentam as
dificuldades. O povo sempre é mais lembrado, na Bíblia, por sua
infidelidade, sem dúvida. Era sempre necessário chamar à humildade e à
honestidade. O povo que deveria estar a serviço da justiça, pois, em nome
do próprio bem-estar. Não cessam os crimes e injustiças contra a
humanidade. Não há “um povo de Deus” que não faça parte dessa humanidade.
Considerar-se justo, ainda que cometendo ou favorecendo as piores
atrocidades, por outro lado, não é senão um engano. Reflete-se um pecado
de proporções maiores, nos dois sentidos. Os líderes do povo, contudo,
seriam mais responsáveis por seus erros? E não é o povo que os escolhe e
elege suas lideranças? Os mais ilustres representantes da religião (sacerdotes judeus, fariseus, escribas, etc.) caem no pecado da falsa consciência religiosa (Mt 21,28-32). Isto é, na pretensão injustificada de se considerarem salvos por seus próprios méritos e não pela graça de Deus. Sinaliza-se o perigo. Ao mesmo tempo em que denuncia a falsa consciência religiosa, Jesus propõe: a vinha é a realidade, uma parábola do mundo, na qual o trabalho é sempre árduo e urgente. A essa vinha um pai envia seus dois filhos. A resposta dos dois é ambígua. Entretanto, somente o compromisso daquele que inicialmente se havia negado a ir trabalhar nos permite descobrir quem agiu coerentemente. Deste modo Jesus denuncia os
dirigentes e todo o povo, ou toda
a comunidade, que publicamente se comprometem a servir seu Senhor
mas são incapazes de agir conforme seus compromissos e suas promessas.
Esta atitude parece contrastar com aqueles que num primeiro momento se
negam ao serviço, mas depois acabam dando o melhor de si mesmos na
transformação da “vinha” (o mundo). Algo inspirador, diante do desânimo
com o qual lidamos, por tantas atitudes hipócritas, quando envolvidos no
preparo do caminho que Jesus Cristo percorrerá na história humana. Para
libertar homens e mulheres de suas ambigüidades, livrá-los dos julgamentos
justificados com dois pesos e duas medidas. Somos hipócritas. Sepulcros
caiados (Mt 23,27)? Até que ponto nosso comportamento visa apenas à nossa
boa reputação ou imagem? Jesus não hesitaria em chamar a isso
hipocrisia. A
hipocrisia é uma mentira gritante, uma contradição
pedagógica.
Jesus era verdadeiro, honesto, sincero e completamente transparente. Por
isso o seu olhar era límpido e ele conseguia detectar as mentiras e a
falsidade do mundo farisaico que o rodeava. Por isso podia propor o
endireitar do mundo religioso do qual fazia parte, corrigir posturas,
mostrando o verdadeiro mundo, onde reina a hipocrisia, ao qual Deus se dirigia. Mundo
construído com a nossa colaboração, infelizmente. O fermento ou levedura
que os fariseus colocavam na massa eram a hipocrisia e mentiras sobre o
compromisso da fé, na forma de doutrinas abstratas, ou moralistas,
distantes da realidade humana (Lc 12,1). O fermento do Reino,
transformador dos reinos deste mundo, que Jesus estava espalhando, eram a
verdade e a honestidade (Lc 13,20-21). Sim, quando é preciso afirmar. Não,
quando é preciso desmentir os absurdo que se
impõem. Segundo
Jesus, os que dizem que não conseguem ler os sinais meteorológicos, mas
sabem ler perfeitamente os sinais de como vai estar o tempo no dia
seguinte, se vai chover ou fazer sol, são hipócritas (Lc 12,56). Quando
ignoramos as duras realidades do nosso tempo, exclusão, injustiça social,
desigualdades, dívidas sociais imensas, estamos sendo hipócritas? Quando
digladiamos em favor de doutrinas eclesiásticas iluministas, da
“contra-reforma-neoescolástica-evangélica”, do racionalismo
fundamentalista, lidamos com hipocrisia? E a recusa de encarar a Bíblia em
seus contextos históricos, que dizer dessa preguiça
histórica? Jesus
poderia dizer-nos, também: que a salvação não se alcança por méritos
próprios, proporcionais à contribuição financeira e à dedicação de alguém,
no esforço objetivo por algum rendimento, tirando-se proveito da vida
religiosa, ou do nome “evangélico”; que a misericórdia de Deus é que nos
concede a recompensa e reparação de nossas necessidades de justiça
econômica, política, social; que a única prosperidade desejável deveria
ser o bem-estar de todos os seguimentos sociais, a partir dos órfãos e
viúvas, símbolos bíblicos dos abandonados à sua própria sorte, quando os
bens sociais lhes são negados sistematicamente. Inclusive dentro da
religião que separa "crentes prósperos" dos pobres, desfavorecidos,
envolvidos em grandes riscos de crime e miséria social.
Jesus
poderia dizer-nos que são a observação e a garantia de aplicação dos
direitos humanos, riquezas verdadeiras – conquistas políticas e sociais em
favor da sociedade inteira – sem ignorarem-se direitos fundamentais de
homens e mulheres na totalidade, como reza a Carta dos Direitos Humanos, é
o centro do Evangelho. Este que inspira os direitos humanos, como disse o
pastor Jaime Wright, mártir dessa causa ainda em tempos
recentes. O INFERNO ESTÁ CHEIO DE BEM-INTENCIONADOS Filipenses
2,1-11 - O único critério
para determinar a autenticidade das práticas cristãs é o que ele chama de
‘entranhas de compaixão’
(hebraico: hahamim), ou seja, o amor incondicional por
pessoas excluídas, cuidado com as vítimas da opressão econômica,
política, na miséria e na
fome de justiça. Para Paulo, os cristãos não podem se examinar unicamente
à luz de critérios piedosos, envolvidos pela pieguice, mas à luz da
prática de Jesus, que sempre agiu no mundo com “entranhas de misericórdia”
(hesed e hahamin, no AT, são o mesmo que xáris, Graça, misericórdia, compaixão,
no NT). Uma aguda reflexão sobre
este problema, chamando a atenção elementos de discernimento, que nos
permite avaliar nossas práticas cotidianas, sob a diáfana luz do amor
misericordioso, do cuidado e do serviço solidário. A conversão que o
sistema religioso considera deveria ser um sinal profético com o poder de
arrastar a todos para o caminho compromissado com o Bem. Entretanto, não é
isto o que acontece. Os cristãos, por suas mesmas boas intenções (diz a
sabedoria popular: “de boas intenções o inferno está cheio...”). Não raro
estão mais propensos a adotar uma falsa consciência religiosa, que os leve
a considerarem-se superiores aos demais, quando, na verdade, são
negligentes quanto a suas responsabilidades. Por se considerarem
definitivamente salvos de todas as intempéries, enquanto aguardam o “céu”,
e se colocam à parte da sociedade e dos problemas humanos.
O PREGADO FUNDAMENTALISTA DIZ: BOTA DEUS NO PAREDÃO, EXIJA... Êxodo
17,1-7 – O episódio que fala de “sede” e de
“água” nada mais se refere
senão a uma situação crítica, do jeito que estamos habituados a ver: o
povo protesta. Liderado por quem? Que líder dominará a falsa consciência
religiosa sobre a retribuição a um determinado esforço político ou
financeiro? Esse povo merecerá alguma coisa, envolvido com sincretismo
religioso e idolatria propositista? Inflamado contra os planos,
questionando a qualidade da liderança de Moisés, o povo também “tenta” a
Yahweh, desafiando-o. E parece não considerar a prova por que passa [como
o pastor citado por Ricardo Gondim na revista Ultimato: “Agora vamos
colocar Deus contra a parece, e exigir...”]. É preciso lembrar as razões
porque os termos [raízes ryb (Meribah = contenda) e msh
(Massah = prova, castigo] aparecem como exemplos no Primeiro
Testamento. Sós ou combinados. O presente texto sugere, também, esta área
esquecida da história social do povo bíblico, pesquisando-se na Bíblia e
na literatura talmúdica (Torah e Thalmud, “leis” e
referências obrigatórias do Judaísmo). O decisivo, no entanto, é a intervenção do Senhor, dando eficácia e autoridade a Moisés. Devemos recordar as narrativas bíblicas (Ex 16,3: “...estávamos sentados junto a panelas cheias de carne, agora passamos fome!”; Ex 15,25: “...e o Eterno manda Moisés jogar uma árvore no mar, para adoçá-la; e aí Yahweh ‘deu-lhes’ estatutos e leis”). Dessa maneira, temos a união de três temas interligados: trata-se de provar a confiança e a fé no Deus de Israel. Moshe Grylak, rabino israelita, nos ajudará: “A necessidade do homem ser examinado, ou do povo, constantemente, não traz qualquer benefício a Deus, pelo contrário, este é que se beneficia”. O texto não se dirigiria a um povo que preferiria a servidão à liberdade?
Derval
Dasilio Pastor
da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil IPU:
30 ANOS DE EXISTÊNCIA ECUMÊNICA! [LEIA MAIS SOBRE O AUTOR]
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